Pessoal,
Passeando pela net encontrei um texto interessante.Dispenso comentários introdutórios e enfatizo que esse texto NÃO traduz necessariamente um pensamento/vontade meu/minha.Espero que curtam, pois o debate pode ser bom.
"Uma das obras mais famosas do criador da Foundation for Economic Education (1946), Lenonard Read, é "I, Pencil". Um trabalho curto, de linguagem simples, mas com uma mensagem brilhante. A obra ganhou maior visibilidade através da divulgação do Nobel em economia, Milton Friedman. Tentarei passar pelos principais pontos da obra, de forma simplificada.
Peguem um lápis simples, aquele ordinário pedaço de madeira, com uma grafite em uma ponta e uma borracha presa a um metal na outra extremidade. Utensílio comum, familiar a todos aqueles que sabem escrever e ler. Esse simples objeto, que nunca ninguém parou para refletir sobre suas nuanças, contém mais informação do que se imagina. Sua estória é interessante, e ele contém mais mistério que muitos acontecimentos naturais, apesar de todos o tomarem como algo dado e pronto. O lápis simboliza um milagroso achievement da humanidade, justamente por ser tão complexo e simples ao mesmo tempo, sem falar da incrível utilidade.
Em primeiro lugar, será que o lápis é tão simples mesmo? Talvez seja espantoso, mas nenhum indivíduo da Terra sabe como fazer um lápis! Da mesma meneira que ninguém consegue avançar muito em sua árvore geneológica, seria impossível nomear e explicar todos os antecedentes do lápis. Vamos tentar algum avanço. Sua família começa de fato numa árvore. Mas daí em diante, imagine todas as pessoas envolvidas nas infinitas habilidades de fabricação do aço e as máquinas necessárias para fazê-lo, nas minas de minério necessário para a grafite, em todos os mecanismos de extração, logística, residência para os trabalhadores etc. A lista seria infindável, pois estamos falando de todo o processo evolutivo da humanidade. O lápis é somente o produto final após um longo processo produtivo, envolvendo milhões de pessoas e séculos de progresso.
Agora ficou mais claro que ser humano algum é capaz de produzir um simples lápis. Na verdade, milhões de indivíduos tiveram participação na criação do lápis, sendo que ninguém sabia muito mais que outros no processo. Trata-se de um acúmulo de informações infinitas, onde ninguém sozinho foi capaz de influenciar muito mais em know-how que qualquer outro, se contemplado a totalidade do processo.
E agora vem o mais importante: cada um desses milhões de indivíduos envolvidos indiretamente e inconscientemente nesse processo não sabiam ex ante da criação final do lápis. Estavam apenas lutando para trocar seu pequeno know-how específico pelos bens e serviços que precisava ou queria. A criação do lápis não havia sido planejada, ela simplesmente ocorreu! E por trás dessa bela criação estava nada mais que os desejos individuais de cada pessoa, mesmo que o produto final seja de uma utilidade incrível para a humanidade.
Há na criação do lápis uma total ausência de um master mind, um criador único que teria concebido sua idéia. Na verdade, o que "fabricou" o lápis foi uma mão invisível, e isso o torna tão misterioso. Da mesma forma que ninguém pode fazer uma árvore, ninguém poderia fazer um lápis sem esta milagrosa mão invisível. E o lápís não passa de uma combinação de milagres, sendo que a árvore, zinco, cobre, grafite e outras coisas naturais não são mais extraordinários que a configuração da criativa energia humana.
Uma vez cientes desse milagre que é a criação de um simples lápis, fica mais claro porque é tão importante salvarmos a liberdade individual. Precisamos deixar essa mão invisível atuar, sem grosseiras intervenções de um master mind, leia-se governo. Através dos interesses individuais de cada ser humano, que utilizará seu conhecimento limitado naturalmente, teremos automaticamente arrumado a humanidade num criativo e produtivo padrão em resposta às necessidades e demandas de cada um. Para isso é condição sine qua non a existência de uma fé em pessoas livres, não em um salvador da pátria clarividente.
Quando o governo assume o monopólio de diversas atividades, as pessoas passam a assumir, sem questionamento, que essa tarefa seria impossível de ser realizada de forma livre pelos indivíduos. A razão é evidente: cada um reconhece que ele não seria capaz de realizar aquela tarefa sozinho. Mas nós já sabemos disso, e o que torna um processo factível não é seu conhecimento individual, mas sim o somatório de milhões de pequenos conhecimentos. Basta confiar nos indivíduos, e dar liberdade para eles.
Agora, compare isso com o que aconteceu na ex-URSS. A Gosplan, um dos infinitos aparatos estatais do Partido Comunista, tinha a árdua tarefa de administrar o preço "justo" de nada mais que 30.000 ítens, incluindo diversas commodities. Eram inúmeros modelos econométricos super complicados, tentando prever a oferta e demanda ao mesmo tempo que fixando o preço. Isso é simplesmente impossível. Conseguiram fixar o preço artificialmente e limitar a oferta devido à falta de incentivo à produção, mas não terminaram com a demanda, natural do homem. O resultado foi uma escassez generalizada, levando a violência e desespero da população. Tudo isso por tentarem controlar um processo que deveria ser natural.
Todo tipo de planejamento rígido focando no futuro distante estará fadado ao insucesso, por basicamente dois motivos: 1) a natureza não é constante, mas está em pleno avanço e mutação; 2) nem mesmo se fosse possível juntar todo o conhecimento disponível hoje em um único indivíduo, ele seria capaz de antecipar tais mutações. Agora imaginem juntar apenas o conhecimento de umas dezenas de burocratas políticos para definir o futuro de uma nação? O caminho correto para o progresso da humanidade pode ser encontrado na criação do lápis. Deixe que a mão invisível faça seu milagroso trabalho. "
Rodrigo Constantino
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3 comentários:
Muito interessante.
Argumentacao clara, objetiva e bem fundamentada. Contudo, um tanto maniqueista!
Para que a mao invisivel seja benefica, ela precisa de seu contraponto para haver equilibro -- o governo.
O estado totalitario eh ruim, mas o neoliberal tambem, nao?!
O texto "esqueceu" de falar isso.
=*********
Tsc Tsc Tsc!
Mão invisível de Adam Smith só funciona mesmo em feira de melancia!
("taisa, você é chata as vezes hein...")
Xan tá certo, apesar de estar sendo muito bonzinho ao dizer que o texto apenas "esqueceu" de comentar tal fato.
Lembrando apenas que liberalismo é diferente de neo-liberalismo, ok?
To lembrado!
A essa altura do campeonato, qualquer estado liberal seria neo-liberal, nao?!
=******* tatinha
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