Luz, Câmera, Ação!
Primeiro, uma reunião. Tensa. Caras determinadas e preocupadas. Um lustre cônico-raso com lâmpada de luz quente logo acima das oito cabeças. A sala mal iluminada. Barbas pretas espessas, boinas de quinta categoria, copos (por ironia do nome) americanos, mas cheios de pinga. Todavia, a voz mais alta vinha de duas mulheres. Os livros de Bakunin sobre a mesa denunciam ao máximo o que está ocorrendo – não é pouco.
Corta.
Corre-corre por becos na Ladeira da Montanha. Histeria, pânico. A Avenida Contorno engarrafada. Helicópteros sobrevoando a área. Caixas de som gigantescas nos terraços dos prédios em VW Kombis velhas rubras. Viaturas da polícia, caminhões do exército – sirenes, muitas sirenes.
Corta.
A vitrine de uma loja de eletrodomésticos da Avenida Sete de Setembro tem suas diversas TVs focalizadas em diversos canais. Na TV Bahia, assistimos ao Vídeo Show, sem cortes. Nas demais, a programação usual foi interrompida por imagens sobrevoando a Cidade Baixa – canais diferentes, contudo as imagens parecem estar perfeitamente sincronizadas. Olhos lacrimosos da aglomeração atenta de transeuntes na calçada.
Corta.
Ferry-boat cansado de suas viagens Mar-Grande/Salvador está parado próximo à Marina. Algumas das figuras que estavam na sala inicial estavam lá. Rostos triunfais, mas concentrados. Valha-me Che! Hoje é o dia do juízo final – ganhamos ou ganhamos. Hoje fazemos a justiça com as próprias mãos. Hoje pegamos nas armas para fazer a Revolução. Hoje o circo acaba.
Isso: nada mais, nada menos, que ela – tênis branco, calça jeans desbotada, camisa branca, óculos pouco sofisticados num rosto visivelmente nortista, cabelos mal tratados presos; sotaque, fluência verbal e decibéis poderosos aliados de modo altamente reconhecível. Discursos ideológicos em denúncias contundentes, um tanto cheios de clichê. Mas hoje é dia. Dia de Heloísa Helena literalmente surtada. Com Alice Portugal a tira-colo, cabelos ao vento e expressão de Osama bin Laden.
“Senador Antônio Carlos Magalhães... Temos bombas estrategicamente colocadas na Baía de Todos os Santos... em menos de cinco minutos, caso Vsa. Exa. não se manifeste, elas irão ser detonadas e a capital pela qual tanto declama seu amor será excluída do mapa... Senador, hoje é o dia de você ser o mártir dessa terra... Hahaha... RENUNCIE AO SEU CARGO PUBLICAMENTE, ASSUMA TODOS SEUS CRIMES, TIRE SUA MÁSCARA E SALVE SEU POVO... ESSA É SUA ÚLTIMA CHANCE DE SOBREVIVER AO NOSSO ATAQUE.. ESSA É A NOSSA ÚLTIMA TENTATIVA DE MORALIZAR ESSA TERRA... Não mais pouse de bem-feitor quando você não passa de um filho de uma puta, crápula, safado, corrupto sem vergonha... RENUNCIE SENADOR!”.
Corta.
E na ficção? Vai acabar em pizza?
sábado, novembro 26, 2005
sexta-feira, novembro 18, 2005
Wannabe - Ser ou não ser?
O texto é levemente vago para deixar lacuna para o próprio debate... se quiserem eu posto um mais consistente sobre o que eu penso a respeito depois.
=******
WANNABE - SER OU NÃO SER?
“Espelho, espelho meu, existe alguém mais EU do que eu?”
Que nada.
Seu sapato é do Marc Jacobs, edição limitada – só você e a Nicole Kidman têm. Você passa suas tardes fazendo yoga, transando ao som de Frank Sinatra com seu personal trainer e tem um cãozinho pequeno de raça exótica.
Que nada.
Você houve aquela banda irlandesa que ninguém conhece, com som totalmente psicodélico, letras quase ininteligíveis, cheio de mixagens com didjeridoos de tribos australianas habitantes do Ayers Rock. Não, ok, não digo o nome a ninguém – VOCÊ que descobriu a banda. Se virar mainstream, deixa de ser cult, e você vai ter que procurar outra, hein?!
Que nada.
A Caros amigos/Quem Acontece logo, logo, virá te entrevistar e você retratará seus filósofos/designers favoritos. Aêêê, que momento de êxtase, hein?!
Aliás, você poderia fazer um fotolog com fotos editadas no photoshop lhe deixando monumental / totalmente freaky. Cores vibrantes / distorções misteriosas. Nítidas / escuras e borradas.
“Ai espelho, estou pensando em ficar com o Fulaninho Pessoa / quebrar a minha guitarra no meio do meu show... o que você acha?”
Ai é com você. Desse modo, uma socialite/produtora de banda pode vir a lhe observar, adotar e lhe levar a uma carreira meteórica de hype/destaque no mundo cultural, underground ou algo do gênero.
Observe que no mundo não importa muito bem o que somos, exatamente – aliás, nós não somos exatamente, nós somos o que pensam que somos, ie., tudo depende de QUEM nos conhece. Só assim as articulações ocorrem, os flashes brilham, só assim você é você!
Se você finalmente é você, ai sim você pode começar a agir e os outros vão te seguir. Ai você diz se a idéia é usar all star de couro / de lona vermelho, ao invés de branco/preto.
Mas, peraí? Você que tanto busca ser reverenciada – onde mesmo você quer chegar? Para onde você conduzirá todos aqueles que te seguem?
Não se iluda – essas perguntas que você me faz são constantes daqueles que você copia para afirmar sua originalidade.
To be or not to be a wannabe – that’s the question.
=******
WANNABE - SER OU NÃO SER?
“Espelho, espelho meu, existe alguém mais EU do que eu?”
Que nada.
Seu sapato é do Marc Jacobs, edição limitada – só você e a Nicole Kidman têm. Você passa suas tardes fazendo yoga, transando ao som de Frank Sinatra com seu personal trainer e tem um cãozinho pequeno de raça exótica.
Que nada.
Você houve aquela banda irlandesa que ninguém conhece, com som totalmente psicodélico, letras quase ininteligíveis, cheio de mixagens com didjeridoos de tribos australianas habitantes do Ayers Rock. Não, ok, não digo o nome a ninguém – VOCÊ que descobriu a banda. Se virar mainstream, deixa de ser cult, e você vai ter que procurar outra, hein?!
Que nada.
A Caros amigos/Quem Acontece logo, logo, virá te entrevistar e você retratará seus filósofos/designers favoritos. Aêêê, que momento de êxtase, hein?!
Aliás, você poderia fazer um fotolog com fotos editadas no photoshop lhe deixando monumental / totalmente freaky. Cores vibrantes / distorções misteriosas. Nítidas / escuras e borradas.
“Ai espelho, estou pensando em ficar com o Fulaninho Pessoa / quebrar a minha guitarra no meio do meu show... o que você acha?”
Ai é com você. Desse modo, uma socialite/produtora de banda pode vir a lhe observar, adotar e lhe levar a uma carreira meteórica de hype/destaque no mundo cultural, underground ou algo do gênero.
Observe que no mundo não importa muito bem o que somos, exatamente – aliás, nós não somos exatamente, nós somos o que pensam que somos, ie., tudo depende de QUEM nos conhece. Só assim as articulações ocorrem, os flashes brilham, só assim você é você!
Se você finalmente é você, ai sim você pode começar a agir e os outros vão te seguir. Ai você diz se a idéia é usar all star de couro / de lona vermelho, ao invés de branco/preto.
Mas, peraí? Você que tanto busca ser reverenciada – onde mesmo você quer chegar? Para onde você conduzirá todos aqueles que te seguem?
Não se iluda – essas perguntas que você me faz são constantes daqueles que você copia para afirmar sua originalidade.
To be or not to be a wannabe – that’s the question.
segunda-feira, novembro 14, 2005
Hipocrisia Feminina Nacional?!
Gostei da fórmula usada pelo nosso companheiro (Heil Lula!) Tito, onde, para poupança de esforços e lançamento de polêmicas, basta deixar uma pergunta no ar para debatermos a mesma.E vou me utilizar desta.
Vou fazer, entretanto, um pouco diferente: vou lançar a pergunta (antes de mais nada,agradeço ao "catalisador" Xanmelexes,pela contribuição pseudo-phylo-socio-psyco-pedago-futebológica para esta reflexão), e vou fornecer alguns "dados" (no qual muitos/muitas irão discordar, eu sei), para que possamos refletir e então debatermos.
SERIA A MULHER BRASILEIRA UMA HIPÓCRITA?!
Quero dizer a principio que,acredito, a hipocrisia está intrisecamente relacionada ao ser humano (mas isso não cabe ser discutido nesse post).Porém devido a certas constatações,inclusive alcançadas numa das mesas do Armazem ontem à noite, eu e xanmelexes passamos a acreditar na hipocrisia das mulheres brasileiras.Sigam me os bons!!!
1ª Fator: O Brasil é mundialmente conhecido pelos 3 B´s: Bonito,Barato & Bundalelê.As grifes nacionais apelam para o sensualidade.Devemos ser os maiores exportadores de biquini do mundo (e com os modelos mais arrojados,óbvio). As brasileiras "exalam" sensualidade e são consideradas umas das mais exóticas e provocadoras mulheres do mundo.
Contra-argumento do 1ª Fator: Vivências de nossos companheiros (Heil Lula!) no exterior, histórias ouvidas por nós e especulações em torno do assunto , mostram que por mais apelativas que sejam as brasileiras, elas passam anos luz de distância da insanidade inerente às mulheres francesas, espanholas, tailandesas,filipenhas (é assim mesmo?!), australianas, alaskenses, etc. no que se diz respeito à influencia dos hormonios na sexualidade das mesmas.Resumindo: são muito mais "dispostas" do que as brasileiras, que, "só" tem o sex appeal.
Os outros fatores deixo para, quem quiser, completar.Que comece o debate!
Vou fazer, entretanto, um pouco diferente: vou lançar a pergunta (antes de mais nada,agradeço ao "catalisador" Xanmelexes,pela contribuição pseudo-phylo-socio-psyco-pedago-futebológica para esta reflexão), e vou fornecer alguns "dados" (no qual muitos/muitas irão discordar, eu sei), para que possamos refletir e então debatermos.
SERIA A MULHER BRASILEIRA UMA HIPÓCRITA?!
Quero dizer a principio que,acredito, a hipocrisia está intrisecamente relacionada ao ser humano (mas isso não cabe ser discutido nesse post).Porém devido a certas constatações,inclusive alcançadas numa das mesas do Armazem ontem à noite, eu e xanmelexes passamos a acreditar na hipocrisia das mulheres brasileiras.Sigam me os bons!!!
1ª Fator: O Brasil é mundialmente conhecido pelos 3 B´s: Bonito,Barato & Bundalelê.As grifes nacionais apelam para o sensualidade.Devemos ser os maiores exportadores de biquini do mundo (e com os modelos mais arrojados,óbvio). As brasileiras "exalam" sensualidade e são consideradas umas das mais exóticas e provocadoras mulheres do mundo.
Contra-argumento do 1ª Fator: Vivências de nossos companheiros (Heil Lula!) no exterior, histórias ouvidas por nós e especulações em torno do assunto , mostram que por mais apelativas que sejam as brasileiras, elas passam anos luz de distância da insanidade inerente às mulheres francesas, espanholas, tailandesas,filipenhas (é assim mesmo?!), australianas, alaskenses, etc. no que se diz respeito à influencia dos hormonios na sexualidade das mesmas.Resumindo: são muito mais "dispostas" do que as brasileiras, que, "só" tem o sex appeal.
Os outros fatores deixo para, quem quiser, completar.Que comece o debate!
domingo, novembro 13, 2005
Cicarelli X Aurélio.
segunda-feira, novembro 07, 2005
Contos de Fadas Brasileiros
A Bela Adormecida acordou. Chapeuzinho vermelho se salvou, os Três Porquinhos se salvaram. A Fera virou príncipe, Cinderela desencalhou e o feijão do João realmente lhe rendeu muita grana.
Pois é. E nada disso acontece comigo.
Se eu durmo no emprego, sou acordado – mas pelo patrão.
Se me armam uma cilada, aquele quem devia me socorrer aponta a arma pra minha cara e eu tomo surra – diferente da Chapeuzinho. E se meu barraco é de madeira, na hora da chuva, não importa – o de tijolo de meu irmão desce morro abaixo também com o toró.
To sem dente e as princesas fugindo de mim. Minha irmã é empregada e o patrão só quer a comer, mas nada de casar com ela – até o filho, loiro do olho azul, que nem o dito cujo, ele disse que não era dele.
E já me passaram a perna de tudo que é jeito – até Tele-Sena vencida já me venderam. Mas não! O feijão do Joãozinho tinha que ser mágico mesmo!
Não!
Eu só quero saber quem foi que escreveu a minha história.
Otário sou eu que cresci ouvindo essas baboseiras de panaca e acabei me acostumando a esperar o meu final feliz.
Se o lobo mal tivesse comido a Chapeuzinho porque ela andou fora da linha, se o playboy que comeu a Cinderela tivesse vazado quando viu que ela era dura, se Joãozinho tivesse se fudido com o feijão... talvez ele tivesse corrido atrás do cara e metido a porrada nele...
Eu tenho é que deixar de ser otário.
Final feliz é coisa de gringo. Coisa Walt Disney. Coisa de empregada doméstica que tem filho na escola, carteiro que tem carro com ar-condicionado e come sucrilhos no café.
Lampião se retou e se fudeu. Conselheiro não se retou, mas correu atrás e se fudeu também. Então, quem reage se fode.
Se brasileiro tá feliz, ou é porque o final ainda não chegou, ou é porque é jogador de futebol, ou em alguma treta ele se meteu.
Pois é. E nada disso acontece comigo.
Se eu durmo no emprego, sou acordado – mas pelo patrão.
Se me armam uma cilada, aquele quem devia me socorrer aponta a arma pra minha cara e eu tomo surra – diferente da Chapeuzinho. E se meu barraco é de madeira, na hora da chuva, não importa – o de tijolo de meu irmão desce morro abaixo também com o toró.
To sem dente e as princesas fugindo de mim. Minha irmã é empregada e o patrão só quer a comer, mas nada de casar com ela – até o filho, loiro do olho azul, que nem o dito cujo, ele disse que não era dele.
E já me passaram a perna de tudo que é jeito – até Tele-Sena vencida já me venderam. Mas não! O feijão do Joãozinho tinha que ser mágico mesmo!
Não!
Eu só quero saber quem foi que escreveu a minha história.
Otário sou eu que cresci ouvindo essas baboseiras de panaca e acabei me acostumando a esperar o meu final feliz.
Se o lobo mal tivesse comido a Chapeuzinho porque ela andou fora da linha, se o playboy que comeu a Cinderela tivesse vazado quando viu que ela era dura, se Joãozinho tivesse se fudido com o feijão... talvez ele tivesse corrido atrás do cara e metido a porrada nele...
Eu tenho é que deixar de ser otário.
Final feliz é coisa de gringo. Coisa Walt Disney. Coisa de empregada doméstica que tem filho na escola, carteiro que tem carro com ar-condicionado e come sucrilhos no café.
Lampião se retou e se fudeu. Conselheiro não se retou, mas correu atrás e se fudeu também. Então, quem reage se fode.
Se brasileiro tá feliz, ou é porque o final ainda não chegou, ou é porque é jogador de futebol, ou em alguma treta ele se meteu.
sexta-feira, novembro 04, 2005
Análise "Chicletônica"
Pelamordedeus,me digam o que há de tão atraente na banda mais vangloriada da cidade de Salvador!Aquela que, por onde passa, onde quer que esteja/toque , atrai milhares de fãs alucinados , que dizem fazer parte de uma seita secreta (talvez uma conspiração?!), auto-intitulada de "Chicleteiros" (ou "chicletero", mesmo): CHICLETE COM BANANA!
Olhe,"sendo" eu um "músico" e usufruindo do meu senso crítico do mesmo, não vejo atrativo algum nesta banda, que entre outras coisas, é composta de músicos mediocres e péssimos letristas (que chegaram ao ponto de "pegar carona" no hit de Adriana Calcanhoto e "comporem" descaradamente um plágio da mesma!E ainda tenho que aturar pessoas dizendo:"Meu Deus!Que letra perfeita!BEL É GENIAL!!!!).
GENIAL?!?!?!GENIAL?!?!?!?!As pessoas não tem mais noção do peso das palavras!Afirmar a "genialidade" de Bel Marques é equipara-lo à mentes de, nada mais nada menos, pessoas como Newton,Freud,Copernico,Marx,Einstein & Cia!!!`
Ói...me deixem...
Agora,tenho que reconhecer que o cara descobriu a forma mais facil de se fazer fortuna que eu já vi: aprendeu meia dúzia de acordes no violão, passou a "permuta-los" para cada nova "música" composta,e, seguindo o "Top Ten" nacional (vide Adriana Calcanhoto), fazem o "Hit Of The Summer" baiano!ASSIM É MUITO FÁCIL!
Já tenho certeza que de fome eu não morro neste mundo....
...e que acabei de assinar meu atestado de óbito,haIUHAIUhaiuHUIAa!
->"Pensamento pensativo do mês: 'Talus Elianus cest una gracium esplendorosus, but se olharum at macroscopicum auditorus falastare magrilum falinorum, brochastus eternum' ('A Eliana é uma gracinha, mas vê-la cantando 'A galinha magricela' broxa qualquer um')
Olhe,"sendo" eu um "músico" e usufruindo do meu senso crítico do mesmo, não vejo atrativo algum nesta banda, que entre outras coisas, é composta de músicos mediocres e péssimos letristas (que chegaram ao ponto de "pegar carona" no hit de Adriana Calcanhoto e "comporem" descaradamente um plágio da mesma!E ainda tenho que aturar pessoas dizendo:"Meu Deus!Que letra perfeita!BEL É GENIAL!!!!).
GENIAL?!?!?!GENIAL?!?!?!?!As pessoas não tem mais noção do peso das palavras!Afirmar a "genialidade" de Bel Marques é equipara-lo à mentes de, nada mais nada menos, pessoas como Newton,Freud,Copernico,Marx,Einstein & Cia!!!`
Ói...me deixem...
Agora,tenho que reconhecer que o cara descobriu a forma mais facil de se fazer fortuna que eu já vi: aprendeu meia dúzia de acordes no violão, passou a "permuta-los" para cada nova "música" composta,e, seguindo o "Top Ten" nacional (vide Adriana Calcanhoto), fazem o "Hit Of The Summer" baiano!ASSIM É MUITO FÁCIL!
Já tenho certeza que de fome eu não morro neste mundo....
...e que acabei de assinar meu atestado de óbito,haIUHAIUhaiuHUIAa!
->"Pensamento pensativo do mês: 'Talus Elianus cest una gracium esplendorosus, but se olharum at macroscopicum auditorus falastare magrilum falinorum, brochastus eternum' ('A Eliana é uma gracinha, mas vê-la cantando 'A galinha magricela' broxa qualquer um')
quinta-feira, novembro 03, 2005
A cabeça quicou.
Sabem que jamais vou esquecer... mas o texto tá fraco...
Análises, e não comentários, POR FAVOR!
=********
A CABEÇA QUICOU.
Hoje eu vi a morte. Nua e crua.
Impactante. Aliás, tudo começou com o som do impacto no chão. Pum.
Naquele milésimo de segundo, desloquei meu globo ocular milimetricamente para o retrovisor, vi a cabeça quicar no chão, meio como uma bola de vôlei cuja câmara de ar estava vazia, meio como uma marreta que se choca com algo que parece arrebentar.
Pum.
Cobri minha mão com a boca e continuei a dirigir em choque. A mão na boca. Tive vontade de chorar, mas faltaram as lágrimas e a reação do corpo. Me contive. Concentrei. O carro estava roncando, pedindo troca de marcha. Voltei a mim.
A mim. Essa casca de ovo fina que a qualquer instante transbordará o líquido rubro vital pelos poros. Que não pode escorregar, parar, virar o volante, se atrapalhar. Se chocar com humano outro (desumano), com arma na mão e cocaína na cabeça. Que só tem certeza da vida no instante presente, podendo estar amorfo no próximo segundo.
Amorfo. Perder minha forma, deixar de ser eu. Ser nada.
A proximidade do ser nada instantaneamente me faz sentir que já sou um quase-nada constante.
Fecho os olhos e vejo a gravidade empurrar o corpo contra o chão novamente. Ah, a gravidade. Malvada e vestida de preto. Como pode um homem cair assim, do nada?
O viaduto. Lembrei do viaduto. Não, o homem deve ter se lançado de lá. Grito final de desespero. Antídoto final para sua doença maior: a vida. Atirou-se para a liberdade da casca. Deixou seu fluído da vida se espalhar. Fugiu de si. Partiu o crânio em dois. Deixou escapar os miolos. Amorfo, amortizado pelo concreto quente que os fritaria. Fuga maior – mas para onde?
Lugar qualquer. Afinal, o que poderia ser pior para aquele homem que esse purgatório? Essa cidade-prisão, cidade-deserto, cidade-fome, cidade-guerra, cidade-violência; idade avançada na cidade-atraso; motivo de dúvida existencial; questionamento do fracasso do viver; esquecer que existiu; se quer esquecer, deixar de existir.
Meu torpor se encerra. Também sou casca e se filosofar demais ao trânsito posso virar patê. Manter a cabeça à frente, o pânico atrás, sobreviver mesmo na subexistência.
E tudo isso deixou de existir. Esqueci de tudo.
30 minutos. Pego e carro e me dirijo a outro ponto da cidade. No caminho? O viaduto. O corpo estava coberto por um pano branco e o morto me pareceu calmo, pacífico, triunfando sobre o caos – os praguejos do engarrafamento causado na ladeira (“odeio fazer meia embreagem”).
(18.09.05)
Análises, e não comentários, POR FAVOR!
=********
A CABEÇA QUICOU.
Hoje eu vi a morte. Nua e crua.
Impactante. Aliás, tudo começou com o som do impacto no chão. Pum.
Naquele milésimo de segundo, desloquei meu globo ocular milimetricamente para o retrovisor, vi a cabeça quicar no chão, meio como uma bola de vôlei cuja câmara de ar estava vazia, meio como uma marreta que se choca com algo que parece arrebentar.
Pum.
Cobri minha mão com a boca e continuei a dirigir em choque. A mão na boca. Tive vontade de chorar, mas faltaram as lágrimas e a reação do corpo. Me contive. Concentrei. O carro estava roncando, pedindo troca de marcha. Voltei a mim.
A mim. Essa casca de ovo fina que a qualquer instante transbordará o líquido rubro vital pelos poros. Que não pode escorregar, parar, virar o volante, se atrapalhar. Se chocar com humano outro (desumano), com arma na mão e cocaína na cabeça. Que só tem certeza da vida no instante presente, podendo estar amorfo no próximo segundo.
Amorfo. Perder minha forma, deixar de ser eu. Ser nada.
A proximidade do ser nada instantaneamente me faz sentir que já sou um quase-nada constante.
Fecho os olhos e vejo a gravidade empurrar o corpo contra o chão novamente. Ah, a gravidade. Malvada e vestida de preto. Como pode um homem cair assim, do nada?
O viaduto. Lembrei do viaduto. Não, o homem deve ter se lançado de lá. Grito final de desespero. Antídoto final para sua doença maior: a vida. Atirou-se para a liberdade da casca. Deixou seu fluído da vida se espalhar. Fugiu de si. Partiu o crânio em dois. Deixou escapar os miolos. Amorfo, amortizado pelo concreto quente que os fritaria. Fuga maior – mas para onde?
Lugar qualquer. Afinal, o que poderia ser pior para aquele homem que esse purgatório? Essa cidade-prisão, cidade-deserto, cidade-fome, cidade-guerra, cidade-violência; idade avançada na cidade-atraso; motivo de dúvida existencial; questionamento do fracasso do viver; esquecer que existiu; se quer esquecer, deixar de existir.
Meu torpor se encerra. Também sou casca e se filosofar demais ao trânsito posso virar patê. Manter a cabeça à frente, o pânico atrás, sobreviver mesmo na subexistência.
E tudo isso deixou de existir. Esqueci de tudo.
30 minutos. Pego e carro e me dirijo a outro ponto da cidade. No caminho? O viaduto. O corpo estava coberto por um pano branco e o morto me pareceu calmo, pacífico, triunfando sobre o caos – os praguejos do engarrafamento causado na ladeira (“odeio fazer meia embreagem”).
(18.09.05)
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