Contribuição mais que especial da nossa coligada Fernanda Garibaldi!Continue contribuindo!!
Dentre todo o ecossistema terrestre, o que sempre singularizou, e singulariza, o homem dos outros animais é o poder de reflexão, ou a capacidade de pensar.Desde o cogito de Descartes , “Penso,logo existo”, até a poesia contemporânea de Eduardo Lacerda, “Não penso,logo hesito”, o homem alcançou, atuou e promoveu grandes feitos por meio da ação deliberada de refletir, questionar e analisar o mundo entorno.
Pensar, no entanto, virou quase sinônimo de luxo; (lembro-me bem de “Minha Vida sem Mim” quando Ann descobre que tem só mais 2 meses de vida e decide “pensar” no que fazer dela, como se nunca o fizesse antes por causa da correria do dia-a-dia; ela dizia: “Me desacostumei a pensar”, se referindo a reflexão mais profunda do cotidiano, haja vista que, em tese, pensar “pensar” ela nunca parou de fazer.)Bom, mas o fato é que pensar também virou redundância lingüística: “Se você parar pra pensar...” como assim “parar” para realizar uma atividade que nunca cessa e que estamos sempre realizando? Voltamos a incompreensão de Ann.A idéia por trás do pleonasmo e da afirmação cinematográfica, (além da óbvia ênfase de pensar profundamente e não mecanicamente) é que, pensar num mundo que é cada vez mais veloz, consumista, e “numerizável” constitui verdadeiro privilégio, restrito aos poucos felizardos que têm tempo de fazê-lo.
Disseminou-se, por conseguinte, a cultura carpediniana da urgência.“Faça”, “Corra”, “Viva”, “Fuja”,”Compre”, e uma porção de outros imperativos acéfalos subliminarmente seguidos da locução “Não pense” e atrelados à falsa idéia de que isso é viver.
Pensar gera lucidez e lucidez gera dúvida, mas, principalmente, gera angústia.Por que pensar então, se isso traz dor e se, como diz Flávio Gikovate, “A receita da felicidade é saúde e ignorância”? Pode parecer uma pergunta boba, mas por que pensar se isso, em última análise, gera sofrimento?Nem venham me falar que é na dor que a gente aprende mais porque eu vou me lembrar, imediatamente, de uma amiga minha que perdeu o pai me falando que trocava qualquer “amadurecimento” e “aprendizado” pra ter um beijo de boa noite de novo.Essa lição eu também não quero. Muito embora,um dia, eu vá me deparar com ela...
Ao contrário de Boaventura Santos, no seu texto de mesma indagação desse, não tenho aqui cinco bons motivos para pensar (e escrever) porque pensar.Mas, dentre as razões do sociólogo português de que: ”Não podemos confiar em quem pensa por nós”, “Porque nem tudo está pensado e não é legítimo reduzir o real ao que existe”, “Porque pensar não é tudo, é preciso agir e sentir”, “Porque as ações lúcidas nem sempre conduzem a resultados lúcidos”; fico com a primeira razão, de que: “As condições que destroem a disponibilidade de pensar destroem também a vida”
Porque talvez não haja felicidade na lucidez completa, mas ,provavelmente, ela é pífia (e mais irreal) ainda, na ignorância;
Porque um dia não é só 86.400 segundos, nem o tempo completo de uma rotação da Terra em torno do seu eixo, tampouco a alternância dos períodos de fotossíntese como querem os matemáticos, geógrafos, e biólogos respectivamente;
Porque vida é reflexão e aprimoramento; mas é sobretudo beleza.E que para se libertar dessa pseudo-liberdade que vivemos, e alcançar o gozo completo da plenitude de estar-se vivo e pulsante, não vejo outro modo que não comece pelo pensamento.
sexta-feira, março 23, 2007
quinta-feira, março 08, 2007
Pequeno insight.
Os gritos flamenguistas entoavam o hino de tradicao carioca.Acordei com os ecos que se ouviam no Jardim Apipema -- isso, em Salvador. Isso: meia-noite de uma quarta-feira.Sei que me refiro como se estivesse diante de algo inusitado. E sei o quanto tambem pode parecer trivial. Todavia, esse momento me abriu o sorriso, me puxou a coberta e me levou a frente do computador.
Por mais irracional que aparente ser a paixao por um time de futebol carioca a meia-noite, numa quarta-feira, na Bahia, disparando peitos e explodindo gargantas de felicidade, nesse instante, eu diria que nao ha nada mais logico.
Sublime.
Brilhante.
"Eu quero uma verdade inventada."
Caras, tem mais de um ano que eu NAO escrevo. Saiu isso ai, agora! Registro essas ideias sempre; as vezes, servem de substrato pra outros textos... vou reler depois, mas postei logo pra nao deixar o blog as moscas.
Abracos.
Por mais irracional que aparente ser a paixao por um time de futebol carioca a meia-noite, numa quarta-feira, na Bahia, disparando peitos e explodindo gargantas de felicidade, nesse instante, eu diria que nao ha nada mais logico.
Sublime.
Brilhante.
"Eu quero uma verdade inventada."
Caras, tem mais de um ano que eu NAO escrevo. Saiu isso ai, agora! Registro essas ideias sempre; as vezes, servem de substrato pra outros textos... vou reler depois, mas postei logo pra nao deixar o blog as moscas.
Abracos.
terça-feira, fevereiro 20, 2007
A Abiogenese Das Palavras
Discão = O cão do disco
"Discão - ligue 0800 e peca ja seu cachorro"
Você não pode pedir a atenção de alguém com tanta freqüência. diz:
eh banda evassom?
[ x a n m e l l o ] diz:
pq isso de discao do nada?
[ x a n m e l l o ] "Discão - ligue 0800 e peca ja seu cachorro" diz:
TA TODO MUNDO ARREPIADO
[ x a n m e l l o ] "Discão - ligue 0800 e peca ja seu cachorro" diz:
sei
Daniel diz:
doliricus
Daniel diz:
sabe que pode
[ x a n m e l l o ] diz:
eles morgarao
[ x a n m e l l o ] diz:
he she it
[ x a n m e l l o ] diz:
noticias do pre?
[ x a n m e l l o ] diz:
vem cah / vo nao
E pra fechar: uERÊ BOY!
"Discão - ligue 0800 e peca ja seu cachorro"
Você não pode pedir a atenção de alguém com tanta freqüência. diz:
eh banda evassom?
[ x a n m e l l o ] diz:
pq isso de discao do nada?
[ x a n m e l l o ] "Discão - ligue 0800 e peca ja seu cachorro" diz:
TA TODO MUNDO ARREPIADO
[ x a n m e l l o ] "Discão - ligue 0800 e peca ja seu cachorro" diz:
sei
Daniel diz:
doliricus
Daniel diz:
sabe que pode
[ x a n m e l l o ] diz:
eles morgarao
[ x a n m e l l o ] diz:
he she it
[ x a n m e l l o ] diz:
noticias do pre?
[ x a n m e l l o ] diz:
vem cah / vo nao
E pra fechar: uERÊ BOY!
sábado, maio 06, 2006
Eu não habilito a proteção de tela do computador...
...porque quando eu não estou nele, eu desligo o monitor.
segunda-feira, abril 24, 2006
Panquecas De Banana
Jack Johnson uma vez cantou:
"Can´t you see that it´s just raining
there ain´t no need to go outside..."
Versos aparentemente vulgares (no sentido de "comum") para nossos ouvidos.Soam muito costumeiros para nós, pessoas afortunadas, que desfrutamos demasiadamente da nossa condição "anti-intemperista".
Agora, contextualize esse verso num "diálogo" de homens de Neandertal.Imagine: um grupo deles, desolados numa carvena qualquer e famintos a ponto de estarem começando a se consumirem. O método mais nutritivo & saboroso aplicado por eles na hora de alimentarem-se ainda é a caça.E, neste então contexto idealizado, um deles "cantarola":
"Can´t you see that it´s just raining
there ain´t no need to go outside..."
RÁ!No mínimo ele viraria uma sopa de letrinhas Neandertal.Os seus companheiros todos famintos, e ele...não faz sentido.
Evoluindo alguns milhares de anos, depois de Cabral ter "descoberto" o Brasil, e do PT ter conseguido e perdido o poder do mesmo, contextualizemos novamente: habitantes de uma favela qualquer, aglomerado no qual se tornou um "lugar comum" para diversos brasileiros. Uma familia. Todos desempregados e nem todos participantes da P.E.A. (população economicamente ativa) nacional, já que há umas 6 crianças na "casa" que ainda assim são forçadas a contribuir para o orçamento da mesma. "Casa" esta que não passa de um barraco, que nem de madeirit é. Resume-se a um conglomerado de tábuas podres coletadas pelos seus residentes.A mesma familia, que precisa de dinheiro para sobreviver,nem das intemperies escapa, enquanto assiste seu barraco ser demolido por uma monstruosa massa de lama que varre o morro e destroi diversas moradias.
Nesse contexto, uma das crianças da familia que está alojada numa tenda para escapar da tempestade, cantarola:
"Can´t you see that it´s just raining
there ain´t no need to go outside..."
Ou seja: "Não precisamos ir 'outside' gente! Só está chovendo!".Eles não precisam acompanhar as mudanças do planeta. Eles não precisam se informar. Eles não precisam se formar. Eles não precisam procurar emprego. Eles não precisam de dinheiro. Eles não precisam comer. Eles não precisam sobreviver.
E eles sequer tem bananas para comer. Quiçá para fazer panquecas.
Contudo, Jack Johnson produz a sua música para nós.Não para eles.
E viva o capitalismo e a desigualdade!
"Can´t you see that it´s just raining
there ain´t no need to go outside..."
Versos aparentemente vulgares (no sentido de "comum") para nossos ouvidos.Soam muito costumeiros para nós, pessoas afortunadas, que desfrutamos demasiadamente da nossa condição "anti-intemperista".
Agora, contextualize esse verso num "diálogo" de homens de Neandertal.Imagine: um grupo deles, desolados numa carvena qualquer e famintos a ponto de estarem começando a se consumirem. O método mais nutritivo & saboroso aplicado por eles na hora de alimentarem-se ainda é a caça.E, neste então contexto idealizado, um deles "cantarola":
"Can´t you see that it´s just raining
there ain´t no need to go outside..."
RÁ!No mínimo ele viraria uma sopa de letrinhas Neandertal.Os seus companheiros todos famintos, e ele...não faz sentido.
Evoluindo alguns milhares de anos, depois de Cabral ter "descoberto" o Brasil, e do PT ter conseguido e perdido o poder do mesmo, contextualizemos novamente: habitantes de uma favela qualquer, aglomerado no qual se tornou um "lugar comum" para diversos brasileiros. Uma familia. Todos desempregados e nem todos participantes da P.E.A. (população economicamente ativa) nacional, já que há umas 6 crianças na "casa" que ainda assim são forçadas a contribuir para o orçamento da mesma. "Casa" esta que não passa de um barraco, que nem de madeirit é. Resume-se a um conglomerado de tábuas podres coletadas pelos seus residentes.A mesma familia, que precisa de dinheiro para sobreviver,nem das intemperies escapa, enquanto assiste seu barraco ser demolido por uma monstruosa massa de lama que varre o morro e destroi diversas moradias.
Nesse contexto, uma das crianças da familia que está alojada numa tenda para escapar da tempestade, cantarola:
"Can´t you see that it´s just raining
there ain´t no need to go outside..."
Ou seja: "Não precisamos ir 'outside' gente! Só está chovendo!".Eles não precisam acompanhar as mudanças do planeta. Eles não precisam se informar. Eles não precisam se formar. Eles não precisam procurar emprego. Eles não precisam de dinheiro. Eles não precisam comer. Eles não precisam sobreviver.
E eles sequer tem bananas para comer. Quiçá para fazer panquecas.
Contudo, Jack Johnson produz a sua música para nós.Não para eles.
E viva o capitalismo e a desigualdade!
sexta-feira, abril 14, 2006
Dos Momentos Elásticos - I
Como pode o ouro ter bolhas,
a euforia e o calor serem amargos,
como pode o amargo me parecer delicioso,
se é gelado e de aroma duvidoso!
Translúcido,
condutor à não-lucidez,
(ou à suprema sinceridade de ser o que se é),
borbulhas de levedo se desprendem do fundo do copo,
orvalho à beira do vidro surgindo gradativamente,
chora o copo e chora o meu peito,
despontam as bolhas como despontam o pensamento
e perdem-se na nuvem branca espumante,
meus pensamentos ecoam pelos céus
e se batem nas nuvens cinza da noite chuvosa.
As gotas se acumulam e descem pelo copo,
mas minhas lágrimas relutam em cair.
Tudo é tão perdido pela madrugada
(e quando o crepúsculo vier,
a sensação de encontro virá,
mas a lembrança de que perdi permanecerá,
ah, eu haverei perdido já alguma vez,
já haverei perdido)
cada gole no copo de cerveja é fugaz,
conduz-me a dúvidas sem resposta,
que nem sei se deveria me perguntar.
As formas diante de mim são nítidas,
contudo meus olhos estão turvos,
meus sentimentos embaçados,
questiono e nego tudo,
o que são as borbulhas no fundo do copo,
o que são as reações químicas que as produzem,
o que são as batidas de violão em mim,
o que é um segundo dentro da minha mão,
se ela se esvai quando escrevo,
como tudo,
e só o nada pode se tornar algo,
e se me esvaio, sou algo,
e se sou algo,
só posso vir a ser nada.
Minutos perdidos em pensamentos sem sentido,
Sentido perdido em minutos sem pensamentos,
Pensamentos perdidos em sentidos sem minutos,
que pararão por algo me interromper --
mais uma batida de violão que não sei o que é.
a euforia e o calor serem amargos,
como pode o amargo me parecer delicioso,
se é gelado e de aroma duvidoso!
Translúcido,
condutor à não-lucidez,
(ou à suprema sinceridade de ser o que se é),
borbulhas de levedo se desprendem do fundo do copo,
orvalho à beira do vidro surgindo gradativamente,
chora o copo e chora o meu peito,
despontam as bolhas como despontam o pensamento
e perdem-se na nuvem branca espumante,
meus pensamentos ecoam pelos céus
e se batem nas nuvens cinza da noite chuvosa.
As gotas se acumulam e descem pelo copo,
mas minhas lágrimas relutam em cair.
Tudo é tão perdido pela madrugada
(e quando o crepúsculo vier,
a sensação de encontro virá,
mas a lembrança de que perdi permanecerá,
ah, eu haverei perdido já alguma vez,
já haverei perdido)
cada gole no copo de cerveja é fugaz,
conduz-me a dúvidas sem resposta,
que nem sei se deveria me perguntar.
As formas diante de mim são nítidas,
contudo meus olhos estão turvos,
meus sentimentos embaçados,
questiono e nego tudo,
o que são as borbulhas no fundo do copo,
o que são as reações químicas que as produzem,
o que são as batidas de violão em mim,
o que é um segundo dentro da minha mão,
se ela se esvai quando escrevo,
como tudo,
e só o nada pode se tornar algo,
e se me esvaio, sou algo,
e se sou algo,
só posso vir a ser nada.
Minutos perdidos em pensamentos sem sentido,
Sentido perdido em minutos sem pensamentos,
Pensamentos perdidos em sentidos sem minutos,
que pararão por algo me interromper --
mais uma batida de violão que não sei o que é.
quarta-feira, abril 12, 2006
"O Lápis e a Mão Invisível"
Pessoal,
Passeando pela net encontrei um texto interessante.Dispenso comentários introdutórios e enfatizo que esse texto NÃO traduz necessariamente um pensamento/vontade meu/minha.Espero que curtam, pois o debate pode ser bom.
"Uma das obras mais famosas do criador da Foundation for Economic Education (1946), Lenonard Read, é "I, Pencil". Um trabalho curto, de linguagem simples, mas com uma mensagem brilhante. A obra ganhou maior visibilidade através da divulgação do Nobel em economia, Milton Friedman. Tentarei passar pelos principais pontos da obra, de forma simplificada.
Peguem um lápis simples, aquele ordinário pedaço de madeira, com uma grafite em uma ponta e uma borracha presa a um metal na outra extremidade. Utensílio comum, familiar a todos aqueles que sabem escrever e ler. Esse simples objeto, que nunca ninguém parou para refletir sobre suas nuanças, contém mais informação do que se imagina. Sua estória é interessante, e ele contém mais mistério que muitos acontecimentos naturais, apesar de todos o tomarem como algo dado e pronto. O lápis simboliza um milagroso achievement da humanidade, justamente por ser tão complexo e simples ao mesmo tempo, sem falar da incrível utilidade.
Em primeiro lugar, será que o lápis é tão simples mesmo? Talvez seja espantoso, mas nenhum indivíduo da Terra sabe como fazer um lápis! Da mesma meneira que ninguém consegue avançar muito em sua árvore geneológica, seria impossível nomear e explicar todos os antecedentes do lápis. Vamos tentar algum avanço. Sua família começa de fato numa árvore. Mas daí em diante, imagine todas as pessoas envolvidas nas infinitas habilidades de fabricação do aço e as máquinas necessárias para fazê-lo, nas minas de minério necessário para a grafite, em todos os mecanismos de extração, logística, residência para os trabalhadores etc. A lista seria infindável, pois estamos falando de todo o processo evolutivo da humanidade. O lápis é somente o produto final após um longo processo produtivo, envolvendo milhões de pessoas e séculos de progresso.
Agora ficou mais claro que ser humano algum é capaz de produzir um simples lápis. Na verdade, milhões de indivíduos tiveram participação na criação do lápis, sendo que ninguém sabia muito mais que outros no processo. Trata-se de um acúmulo de informações infinitas, onde ninguém sozinho foi capaz de influenciar muito mais em know-how que qualquer outro, se contemplado a totalidade do processo.
E agora vem o mais importante: cada um desses milhões de indivíduos envolvidos indiretamente e inconscientemente nesse processo não sabiam ex ante da criação final do lápis. Estavam apenas lutando para trocar seu pequeno know-how específico pelos bens e serviços que precisava ou queria. A criação do lápis não havia sido planejada, ela simplesmente ocorreu! E por trás dessa bela criação estava nada mais que os desejos individuais de cada pessoa, mesmo que o produto final seja de uma utilidade incrível para a humanidade.
Há na criação do lápis uma total ausência de um master mind, um criador único que teria concebido sua idéia. Na verdade, o que "fabricou" o lápis foi uma mão invisível, e isso o torna tão misterioso. Da mesma forma que ninguém pode fazer uma árvore, ninguém poderia fazer um lápis sem esta milagrosa mão invisível. E o lápís não passa de uma combinação de milagres, sendo que a árvore, zinco, cobre, grafite e outras coisas naturais não são mais extraordinários que a configuração da criativa energia humana.
Uma vez cientes desse milagre que é a criação de um simples lápis, fica mais claro porque é tão importante salvarmos a liberdade individual. Precisamos deixar essa mão invisível atuar, sem grosseiras intervenções de um master mind, leia-se governo. Através dos interesses individuais de cada ser humano, que utilizará seu conhecimento limitado naturalmente, teremos automaticamente arrumado a humanidade num criativo e produtivo padrão em resposta às necessidades e demandas de cada um. Para isso é condição sine qua non a existência de uma fé em pessoas livres, não em um salvador da pátria clarividente.
Quando o governo assume o monopólio de diversas atividades, as pessoas passam a assumir, sem questionamento, que essa tarefa seria impossível de ser realizada de forma livre pelos indivíduos. A razão é evidente: cada um reconhece que ele não seria capaz de realizar aquela tarefa sozinho. Mas nós já sabemos disso, e o que torna um processo factível não é seu conhecimento individual, mas sim o somatório de milhões de pequenos conhecimentos. Basta confiar nos indivíduos, e dar liberdade para eles.
Agora, compare isso com o que aconteceu na ex-URSS. A Gosplan, um dos infinitos aparatos estatais do Partido Comunista, tinha a árdua tarefa de administrar o preço "justo" de nada mais que 30.000 ítens, incluindo diversas commodities. Eram inúmeros modelos econométricos super complicados, tentando prever a oferta e demanda ao mesmo tempo que fixando o preço. Isso é simplesmente impossível. Conseguiram fixar o preço artificialmente e limitar a oferta devido à falta de incentivo à produção, mas não terminaram com a demanda, natural do homem. O resultado foi uma escassez generalizada, levando a violência e desespero da população. Tudo isso por tentarem controlar um processo que deveria ser natural.
Todo tipo de planejamento rígido focando no futuro distante estará fadado ao insucesso, por basicamente dois motivos: 1) a natureza não é constante, mas está em pleno avanço e mutação; 2) nem mesmo se fosse possível juntar todo o conhecimento disponível hoje em um único indivíduo, ele seria capaz de antecipar tais mutações. Agora imaginem juntar apenas o conhecimento de umas dezenas de burocratas políticos para definir o futuro de uma nação? O caminho correto para o progresso da humanidade pode ser encontrado na criação do lápis. Deixe que a mão invisível faça seu milagroso trabalho. "
Rodrigo Constantino
Passeando pela net encontrei um texto interessante.Dispenso comentários introdutórios e enfatizo que esse texto NÃO traduz necessariamente um pensamento/vontade meu/minha.Espero que curtam, pois o debate pode ser bom.
"Uma das obras mais famosas do criador da Foundation for Economic Education (1946), Lenonard Read, é "I, Pencil". Um trabalho curto, de linguagem simples, mas com uma mensagem brilhante. A obra ganhou maior visibilidade através da divulgação do Nobel em economia, Milton Friedman. Tentarei passar pelos principais pontos da obra, de forma simplificada.
Peguem um lápis simples, aquele ordinário pedaço de madeira, com uma grafite em uma ponta e uma borracha presa a um metal na outra extremidade. Utensílio comum, familiar a todos aqueles que sabem escrever e ler. Esse simples objeto, que nunca ninguém parou para refletir sobre suas nuanças, contém mais informação do que se imagina. Sua estória é interessante, e ele contém mais mistério que muitos acontecimentos naturais, apesar de todos o tomarem como algo dado e pronto. O lápis simboliza um milagroso achievement da humanidade, justamente por ser tão complexo e simples ao mesmo tempo, sem falar da incrível utilidade.
Em primeiro lugar, será que o lápis é tão simples mesmo? Talvez seja espantoso, mas nenhum indivíduo da Terra sabe como fazer um lápis! Da mesma meneira que ninguém consegue avançar muito em sua árvore geneológica, seria impossível nomear e explicar todos os antecedentes do lápis. Vamos tentar algum avanço. Sua família começa de fato numa árvore. Mas daí em diante, imagine todas as pessoas envolvidas nas infinitas habilidades de fabricação do aço e as máquinas necessárias para fazê-lo, nas minas de minério necessário para a grafite, em todos os mecanismos de extração, logística, residência para os trabalhadores etc. A lista seria infindável, pois estamos falando de todo o processo evolutivo da humanidade. O lápis é somente o produto final após um longo processo produtivo, envolvendo milhões de pessoas e séculos de progresso.
Agora ficou mais claro que ser humano algum é capaz de produzir um simples lápis. Na verdade, milhões de indivíduos tiveram participação na criação do lápis, sendo que ninguém sabia muito mais que outros no processo. Trata-se de um acúmulo de informações infinitas, onde ninguém sozinho foi capaz de influenciar muito mais em know-how que qualquer outro, se contemplado a totalidade do processo.
E agora vem o mais importante: cada um desses milhões de indivíduos envolvidos indiretamente e inconscientemente nesse processo não sabiam ex ante da criação final do lápis. Estavam apenas lutando para trocar seu pequeno know-how específico pelos bens e serviços que precisava ou queria. A criação do lápis não havia sido planejada, ela simplesmente ocorreu! E por trás dessa bela criação estava nada mais que os desejos individuais de cada pessoa, mesmo que o produto final seja de uma utilidade incrível para a humanidade.
Há na criação do lápis uma total ausência de um master mind, um criador único que teria concebido sua idéia. Na verdade, o que "fabricou" o lápis foi uma mão invisível, e isso o torna tão misterioso. Da mesma forma que ninguém pode fazer uma árvore, ninguém poderia fazer um lápis sem esta milagrosa mão invisível. E o lápís não passa de uma combinação de milagres, sendo que a árvore, zinco, cobre, grafite e outras coisas naturais não são mais extraordinários que a configuração da criativa energia humana.
Uma vez cientes desse milagre que é a criação de um simples lápis, fica mais claro porque é tão importante salvarmos a liberdade individual. Precisamos deixar essa mão invisível atuar, sem grosseiras intervenções de um master mind, leia-se governo. Através dos interesses individuais de cada ser humano, que utilizará seu conhecimento limitado naturalmente, teremos automaticamente arrumado a humanidade num criativo e produtivo padrão em resposta às necessidades e demandas de cada um. Para isso é condição sine qua non a existência de uma fé em pessoas livres, não em um salvador da pátria clarividente.
Quando o governo assume o monopólio de diversas atividades, as pessoas passam a assumir, sem questionamento, que essa tarefa seria impossível de ser realizada de forma livre pelos indivíduos. A razão é evidente: cada um reconhece que ele não seria capaz de realizar aquela tarefa sozinho. Mas nós já sabemos disso, e o que torna um processo factível não é seu conhecimento individual, mas sim o somatório de milhões de pequenos conhecimentos. Basta confiar nos indivíduos, e dar liberdade para eles.
Agora, compare isso com o que aconteceu na ex-URSS. A Gosplan, um dos infinitos aparatos estatais do Partido Comunista, tinha a árdua tarefa de administrar o preço "justo" de nada mais que 30.000 ítens, incluindo diversas commodities. Eram inúmeros modelos econométricos super complicados, tentando prever a oferta e demanda ao mesmo tempo que fixando o preço. Isso é simplesmente impossível. Conseguiram fixar o preço artificialmente e limitar a oferta devido à falta de incentivo à produção, mas não terminaram com a demanda, natural do homem. O resultado foi uma escassez generalizada, levando a violência e desespero da população. Tudo isso por tentarem controlar um processo que deveria ser natural.
Todo tipo de planejamento rígido focando no futuro distante estará fadado ao insucesso, por basicamente dois motivos: 1) a natureza não é constante, mas está em pleno avanço e mutação; 2) nem mesmo se fosse possível juntar todo o conhecimento disponível hoje em um único indivíduo, ele seria capaz de antecipar tais mutações. Agora imaginem juntar apenas o conhecimento de umas dezenas de burocratas políticos para definir o futuro de uma nação? O caminho correto para o progresso da humanidade pode ser encontrado na criação do lápis. Deixe que a mão invisível faça seu milagroso trabalho. "
Rodrigo Constantino
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