Contribuição mais que especial da nossa coligada Fernanda Garibaldi!Continue contribuindo!!
Dentre todo o ecossistema terrestre, o que sempre singularizou, e singulariza, o homem dos outros animais é o poder de reflexão, ou a capacidade de pensar.Desde o cogito de Descartes , “Penso,logo existo”, até a poesia contemporânea de Eduardo Lacerda, “Não penso,logo hesito”, o homem alcançou, atuou e promoveu grandes feitos por meio da ação deliberada de refletir, questionar e analisar o mundo entorno.
Pensar, no entanto, virou quase sinônimo de luxo; (lembro-me bem de “Minha Vida sem Mim” quando Ann descobre que tem só mais 2 meses de vida e decide “pensar” no que fazer dela, como se nunca o fizesse antes por causa da correria do dia-a-dia; ela dizia: “Me desacostumei a pensar”, se referindo a reflexão mais profunda do cotidiano, haja vista que, em tese, pensar “pensar” ela nunca parou de fazer.)Bom, mas o fato é que pensar também virou redundância lingüística: “Se você parar pra pensar...” como assim “parar” para realizar uma atividade que nunca cessa e que estamos sempre realizando? Voltamos a incompreensão de Ann.A idéia por trás do pleonasmo e da afirmação cinematográfica, (além da óbvia ênfase de pensar profundamente e não mecanicamente) é que, pensar num mundo que é cada vez mais veloz, consumista, e “numerizável” constitui verdadeiro privilégio, restrito aos poucos felizardos que têm tempo de fazê-lo.
Disseminou-se, por conseguinte, a cultura carpediniana da urgência.“Faça”, “Corra”, “Viva”, “Fuja”,”Compre”, e uma porção de outros imperativos acéfalos subliminarmente seguidos da locução “Não pense” e atrelados à falsa idéia de que isso é viver.
Pensar gera lucidez e lucidez gera dúvida, mas, principalmente, gera angústia.Por que pensar então, se isso traz dor e se, como diz Flávio Gikovate, “A receita da felicidade é saúde e ignorância”? Pode parecer uma pergunta boba, mas por que pensar se isso, em última análise, gera sofrimento?Nem venham me falar que é na dor que a gente aprende mais porque eu vou me lembrar, imediatamente, de uma amiga minha que perdeu o pai me falando que trocava qualquer “amadurecimento” e “aprendizado” pra ter um beijo de boa noite de novo.Essa lição eu também não quero. Muito embora,um dia, eu vá me deparar com ela...
Ao contrário de Boaventura Santos, no seu texto de mesma indagação desse, não tenho aqui cinco bons motivos para pensar (e escrever) porque pensar.Mas, dentre as razões do sociólogo português de que: ”Não podemos confiar em quem pensa por nós”, “Porque nem tudo está pensado e não é legítimo reduzir o real ao que existe”, “Porque pensar não é tudo, é preciso agir e sentir”, “Porque as ações lúcidas nem sempre conduzem a resultados lúcidos”; fico com a primeira razão, de que: “As condições que destroem a disponibilidade de pensar destroem também a vida”
Porque talvez não haja felicidade na lucidez completa, mas ,provavelmente, ela é pífia (e mais irreal) ainda, na ignorância;
Porque um dia não é só 86.400 segundos, nem o tempo completo de uma rotação da Terra em torno do seu eixo, tampouco a alternância dos períodos de fotossíntese como querem os matemáticos, geógrafos, e biólogos respectivamente;
Porque vida é reflexão e aprimoramento; mas é sobretudo beleza.E que para se libertar dessa pseudo-liberdade que vivemos, e alcançar o gozo completo da plenitude de estar-se vivo e pulsante, não vejo outro modo que não comece pelo pensamento.
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2 comentários:
Dann (e quem mais ler o post..)
Realmente,relendo o texto,entendí sua observação..esquecí de avisar que não era um texto "caseiro", pessoal...
O texto é bem formal e "cheio de citações" porque não foi,apenas,uma criação espontânea, como te falei..
Eu escreví pra uma matéria optativa,que eu pego,chamada Semiótica ( que é, mais ou menos, a investigação de todos os signos e sentidos extra-verbais da linguagem humana ) daí eu tinha que me ater sempre à crônica de Boaventura...;)
Da próxima vez,se minhas gavetas e meu lado intimista permitirem,eu prometo contribuir com algo mais pessoal e "opinativo" ta bom?huehuehe
bjoooos
estamos aguardando!
(ninguem olha mais esse blog mesmo,mas tudo bem...)
hehehe
bjos!
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