Sabem que jamais vou esquecer... mas o texto tá fraco...
Análises, e não comentários, POR FAVOR!
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A CABEÇA QUICOU.
Hoje eu vi a morte. Nua e crua.
Impactante. Aliás, tudo começou com o som do impacto no chão. Pum.
Naquele milésimo de segundo, desloquei meu globo ocular milimetricamente para o retrovisor, vi a cabeça quicar no chão, meio como uma bola de vôlei cuja câmara de ar estava vazia, meio como uma marreta que se choca com algo que parece arrebentar.
Pum.
Cobri minha mão com a boca e continuei a dirigir em choque. A mão na boca. Tive vontade de chorar, mas faltaram as lágrimas e a reação do corpo. Me contive. Concentrei. O carro estava roncando, pedindo troca de marcha. Voltei a mim.
A mim. Essa casca de ovo fina que a qualquer instante transbordará o líquido rubro vital pelos poros. Que não pode escorregar, parar, virar o volante, se atrapalhar. Se chocar com humano outro (desumano), com arma na mão e cocaína na cabeça. Que só tem certeza da vida no instante presente, podendo estar amorfo no próximo segundo.
Amorfo. Perder minha forma, deixar de ser eu. Ser nada.
A proximidade do ser nada instantaneamente me faz sentir que já sou um quase-nada constante.
Fecho os olhos e vejo a gravidade empurrar o corpo contra o chão novamente. Ah, a gravidade. Malvada e vestida de preto. Como pode um homem cair assim, do nada?
O viaduto. Lembrei do viaduto. Não, o homem deve ter se lançado de lá. Grito final de desespero. Antídoto final para sua doença maior: a vida. Atirou-se para a liberdade da casca. Deixou seu fluído da vida se espalhar. Fugiu de si. Partiu o crânio em dois. Deixou escapar os miolos. Amorfo, amortizado pelo concreto quente que os fritaria. Fuga maior – mas para onde?
Lugar qualquer. Afinal, o que poderia ser pior para aquele homem que esse purgatório? Essa cidade-prisão, cidade-deserto, cidade-fome, cidade-guerra, cidade-violência; idade avançada na cidade-atraso; motivo de dúvida existencial; questionamento do fracasso do viver; esquecer que existiu; se quer esquecer, deixar de existir.
Meu torpor se encerra. Também sou casca e se filosofar demais ao trânsito posso virar patê. Manter a cabeça à frente, o pânico atrás, sobreviver mesmo na subexistência.
E tudo isso deixou de existir. Esqueci de tudo.
30 minutos. Pego e carro e me dirijo a outro ponto da cidade. No caminho? O viaduto. O corpo estava coberto por um pano branco e o morto me pareceu calmo, pacífico, triunfando sobre o caos – os praguejos do engarrafamento causado na ladeira (“odeio fazer meia embreagem”).
(18.09.05)
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4 comentários:
Dan, esse seu amigo promete...
"Análises, e não comentários, POR FAVOR!", eu sei. Só foi comentário pq foi pra Daniel, que sempre acaba achando que eu tô brigando pessoalmente com ele quando é análise (ou então que eu tô cometendo o sacrilégio de "tentar entender as coisas"). =)
(Quer ver? Ele vai dizer que eu tô brigando de novo.)
=**
aconteceu isso de verdade?
e afinal, o cara se suicidou ou não?? o carro atropelou??? hein!!! po, que idéia isso de não contar a história direito, viu!! pouuxaa!! que droga!!!
(referência com pretensões irônicas aos espectadores de Cidade Baixa, estupefados com o filme "sem final". haha).
Gostei, viu?
Tai
Inicialmente, agradeço à galoa Çibele pelo comentário!!! =]]
Galera, isso aconteceu, sim. Exatamente como eu relato.
Tai, não sei se o cara foi atropelado não! Não fiquei pra ver, né?
E foi ali, perto do viaduto da legendária "antiga fábrica da coca-cola" do Rio Vermelho (ela existiu mesmo?)
Basically, that's it fuckers...
Valeu pelos comentários!!
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